A vida depois de sobreviver a uma tentativa de suicídio




A Vida depois de superar a Depressão

Aos 23 anos, Isabel Montón tomou um vidro inteiro de calmantes. Não queria acordar nunca mais. Hoje, usa a força e o aprendizado para salvar outras vidas como voluntária do Centro de Valorização da Vida.


Faz 48 anos, mas Isabel Montón lembra-se bem. Não há tempo que a faça esquecer o dia em que, à beira do abismo emocional, sem ter para onde olhar, sonhar ou fugir, tentou colocar fim à própria vida. E o dia seguinte, o da sobrevivência, não é mágico. Não veio acompanhado de grandes descobertas, lágrimas ou uma vontade insuportável de viver. Nem de um despertar, um “o que que eu fui fazer?”. Não para ela.
Isabel queria dormir para sempre. Dormiu três dias. Acordou em um hospital psiquiátrico, dopada, sentindo os efeitos dos mais de 50 comprimidos calmantes que havia tomado. Faltava pouco para ela completar 24 anos. Ao encontrar o vidro vazio no apartamento onde Isabel vivia, a irmã correu com ela para o hospital. Lá, acordou anestesiada, uma sensação que a acompanhou algum tempo ainda depois daquele dia.
Isabel teve uma infância turbulenta no Rio de Janeiro. Começou a estudar e trabalhar cedo. Em casa, se sentia rejeitada pela mãe, que a culpava pela separação do marido. Diz que tinha sonhos premonitórios, via coisas. A mãe achava que a menina era meio “bruxa”. “Pura ignorância. Ela não sabia como lidar com essas coisas. Tinha medo, acho”, acredita. Ela tinha 3 anos quando o pai saiu de casa. Desde então, nunca mais o viu.
Cheia de sonhos e planos, Isabel tentou viver uma vida normal na capital fluminense. Com 20 e poucos, se apaixonou perdidamente. “Tinha fantasias de garota, queria casar”, conta. Foi viver sua fantasia dividindo o mesmo teto com o amado. Um dia, durante uma briga, ele anunciou que a deixaria. Para quem havia varrido rejeições para debaixo do tapete muitas vezes durante a vida, o baque foi grande demais. Sem fazer alarde, decidiu que essa vida já não era mais para ela. “Foi decepção amorosa”, diz pouco, ainda assim dizendo muito.
O namorado a acompanhou no hospital e a briga virou fumaça. Pouco depois, Isabel engravidou dele e a vida ganhou outro sentido. Ou, pelo menos, novas prioridades. As preocupações com a gravidez lhe salvaram de se afundar nas próprias tristezas. Agora, tratava-se da vida de outra pessoa. Nos anos 1970, com um bebê de três meses no colo, veio para Brasília com o marido, engenheiro da Telebrasília na época. A vida lhe dava mais uma chance de recomeço.
Hora de se despedir
Isabel passou 30 anos ao lado do homem que lhe causou aquela decepção amorosa e teve três filhos com ele. Nessas três décadas, oscilou entre altos e baixos. Lutou para se curar da tristeza.  Recém-chegada a Brasília e ainda engasgada com aquela tentativa de suicídio, procurou um serviço de atendimento psicológico via telefone. Precisava desabafar. Queria dividir sua dor com alguém. “Só que eu queria um serviço que fosse anônimo, que eu pudesse falar sem me identificar. E a pessoa queria saber tudo da minha vida.”
Passou a devorar livros e temas diversos. Se matriculou em “tudo o que era cursinho”. Tomou antidepressivos, fez yôga, academia e dança. Largou os dois primeiros, se apegou aos últimos – principalmente quando o forró é o ritmo que embala o salão. “A dança é o melhor medicamento que existe”, tem certeza. Criou os três filhos. Um dia, furiosa com o marido, quis jogar o carro para fora da pista. Lembrou-se das crianças no banco de trás. Que alívio. 
Devagar, a tristeza foi dando lugar talvez não à alegria, mas à vida, simplesmente. Um dia, num programa de televisão, viu uma moça contar que havia tentado acabar com a própria vida diversas vezes até se tornar voluntária do Centro de Valorização da Vida. Trata-se de uma associação sem fins lucrativos que, desde 1962, faz atendimento voluntário e gratuito a pessoas que precisam de apoio emocional via telefone, muitas vezes à beira de, literalmente, se jogar de uma ponte. O atendimento é sigiloso.
“Essa é a minha história”, pensou Isabel, ouvindo o depoimento da moça pela TV. Se lembrou de quando quis desabafar pelo telefone, mas não encontrou nada que lhe ajudasse no acolhimento do anonimato. Descobriu que o CVV tinha uma filial na capital e se matriculou. Levou com ela uma das filhas. Juntas, fizeram o curso de formação de voluntários, uma jornada de 10 semanas pela psicologia humana e uma baita lição de como ouvir ao outro. Parece um exercício simples, mas quase ninguém pratica no dia a dia.
Em 2016, Isabel completa 28 anos como voluntária do CVV. É a segunda mais antiga do quadro de 40 pessoas que se revezam em turnos de quatro horas, dedicadas a amparar quem precisa de um ombro. A sede da associação hoje fica num prédio comercial na Asa Norte. Os atendimentos via telefone – o CVV opera no número 141, 24 horas por dia – são feitos em uma salinha pequena, com não mais que um sofá e um telefone. É o suficiente para salvar vidas.
A primeira coisa que eu faço é convidar a pessoa a conversar. O que a levou até ali? Costumo comparar as pessoas a uma panela de pressão. Uma vez que você puxa a válvula e tira a pressão, acabou. Ela não corre mais o risco de explodir. Desabafar funciona do mesmo jeito."
Isabel Montón
Segundo Isabel, atendimentos a suicidas não são assim tão frequentes no CVV. Há quem dê plantões há anos sem nunca ter atendido um único caso. Ironia ou desenho do destino, ela encontrou alguns pelo caminho. “Costumo dizer que a gente atrai para si aquilo de que estamos precisando. Como a questão do suicídio ainda não era bem resolvida dentro de mim, eu acabei lidando mais do que a média com esses casos”, comenta.
Certa vez, atendeu um jovem de 20 e poucos anos que havia ficado com metade do corpo paralisado depois de um acidente de carro. O único tratamento possível era nos EUA e sua família não tinha condições de bancar. Ele havia acabado de entrar na faculdade. Rindo, contava sobre como era ruim assistir aos colegas saindo para festas, se entregando a suas primeiras paixões, sentado numa cadeira de rodas.
“Eu conversei com ele e sugeri que procurasse uma pessoa querida. Chorando, ele me agradeceu, e contou que estava decidido de que eu seria a última pessoa a quem ele contaria a sua história. Ele tinha uma arma ao seu lado, mas daria uma chance ao meu conselho. Foi a única vez que um atendimento me desestabilizou”, conta Isabel.
Atendimento após atendimento, Isabel ficou mais forte. Se curou curando outras pessoas. Mas ela prefere dar outro nome ao processo. “É um crescimento. Uma evolução. O CVV me transformou muito”.
Há oito anos, Isabel rompeu com o primeiro marido. Era hora de deixar o passado no passado. “Não foi muito fácil, não”, ela conta. A vida tratou de lhe ser gentil: hoje, ela vive nova fantasia de menina, desa vez em águas mais calmas. Há sete anos, disse “sim” de novo.
O novo marido sabe tudo sobre sua história. Se ela tivesse conseguido o que queria naquele dia, aos 23 anos, jamais o teria encontrado. Ele agradece, ela também. “Hoje isso é página virada. Passou”, sorri.
O CVV:O Centro de Valorização da Vida presta apoio emocional gratuitamente 24 horas por dia, de forma anônima e sigilosa. Os atendimentos podem ser feitos por telefone, e-mail, Skype, chat, ou pessoalmente. Em Brasília, o posto de atendimento funciona no Setor de Rádio e TV Norte Quadra 702, Edifício Brasília Rádio Center, sobreloja 5. O atendimento é feito pelo 141. Site:http://www.cvv.org.br/
Fonte:http://www.metropoles.com/vida-e-estilo/comportamento/a-vida-depois-de-sobreviver-a-uma-tentativa-de-suicidio

Como lidar com a depressão no ambiente de trabalho


Saiba como a questão pode impactar o trabalho e quando é preciso comunicar os superiores

ARTIGO DE ESPECIALISTA

Dr. Ivan Mario Braun 
PSIQUIATRIA - CRM 57449/SP
ESPECIALISTA MINHA VIDA

O que é Transtorno Bipolar?

Esse vídeo é pra explicar o que é Transtorno bipolar. Eu resolvi gravar um vídeo explicando, pois depois de várias pesquisas no youtube percebi que tem muitos vídeos equivocados sobre o assunto. Então criei um canal para falar de Transtorno bipolar, esse é o 1º vídeo, postarei periodicamente sobre o tema.

Assista ao vídeo abaixo, se gostou se escreva no canal para acompanhar a série de vídeos sobre Transtorno Bipolar. Abraços




O que penso da bipolaridade

Depoimento: Maria Cristina

" Para toda a perda existe ganho, convivo há muitos anos com minha bipolaridade, aprendi que não posso esquecer do lítio, jamais.
Desde então posso ter uma vida normal, claro que um bipolar pode e deve ter uma vida normal, basta para isto controlar seus remédios, nada diferente de um hipertenso ou diabético bem se for inúmeras aqui vai faltar espaço para doenças que precisam ser controladas.
A diferença é que nós os bipolares podemos sim com uma vida normal, o que não dá para nós é uma vida comum.
Não sei se alguns vão concordar comigo, mas sinto, mesmo completamente equilibrada dosando meu lítio no sangue, mais força de vontade viva mais intensamente, penso mais rápido que meus funcionarios, e colegas tudo com um prazer muito grande e um empenho, disciplina. Penso que a bipolaridade não foi nem de longe algo ruim DEPOIS DE TRATADA devidamente."

Maria Cristina

Um pouco da minha história


Saudações a todos

Meu nome é Juracy e lendo as histórias postados nesse blog, me veio o desejo de compartilhar com os amigos meus pedações ou cacos que estou ainda recolhendo, a despeito de ter sido diagnosticado há mais de cinco anos com o transtorno.

Negro, de família muito simples, pais iletrados, fui educado na periferia de Vitória, no Estado do Espírito Santo, comecei a carreira profissional limpando prateleiras em supermercados, quando aos 17 anos decidi me casar. Sem concluir o ensino médio, vivendo uma vida bastante difícil, resolvi retomar os estudos. 

Com a ajuda de amigos nos empréstimos de livros e compreensão de algumas matérias, consegui concluir o segundo grau, como era chamado à época. Visando melhorar a renda, submeti ao concurso público para soldado da polícia militar, quando fui aprovado e exerci a atividade policial por dois anos, pois percebi que caso continuasse os estudos poderia alcançar outras possibilidades.

Em 1990 fui aprovado no concurso da Justiça Federal do Estado do Rio de Janeiro, onde trabalhei por 04 anos e depois fui removido para a Justiça Federal do Espírito Santo.

Em 1994, ingressei na Universidade Federal do Espírito Santo, no curso de direito, tendo concluído em 1999. 

Casado, com três filhos, bem sucedido no serviço público, pois passei a exercer cargos importantes na Justiça Federal, como supervisor e depois diretor de secretaria do juízo, retornei a me dedicar novamente aos estudos.

Em 2004 fui aprovado em quarto lugar no concurso de Juiz de Direito do Estado de Rondônia. No mesmo ano, fui aprovado no concurso de Juiz de Direito do Estado do Espírito Santo. 

Iniciei a judicatura no interior do Estado, bem como na docência do ensino superior. Após 4 anos de muito trabalho e dedicação, já que a função se tornou mais importante do que minha própria vida e minha família, começou a surgiu um comportamento de descontrole. Começou pela perda do sono, depois veio a hipersexualidade, e por fim a compulsividade para compras. Comecei a me envolver com qualquer tipo de pessoa. A mesma comarca, onde os jurisdicionados me considerava um magistrado brilhante, começaram a me recomendar a corregedoria, pois não havia limites no meu comportamento. Perdi completamente o controle social e a percepção da realidade. Perdi minha identidade. A situação ficou tão grave que não resisti a uma tentativa de suicídio. Quando notei que havia alguma coisa de errado, procurei uma psicóloga. Foram vários meses tentando descobrir o que estava acontecendo. Os medicamentos receitados somente pioravam a situação e em 2009 fui diagnosticado com o TAB. O mundo caiu pra mim.

Recusei aceitar o diagnóstico, mas a desorganização social era tamanha que não havia margem de dúvida sobre a veracidade do laudo. Iniciei o tratamento, mas já era tarde, o lastro condutal impedia continuar a atividade jurisdicional.

Foi inevitável a apuração de processo administrativo disciplinar. Antes de sua conclusão, fui aposentado por invalidez, em decorrência do transtorno.

Me submeti ao tratamento, com muita responsabilidade, pois o desarranjo social foi muito grave.Consegui me estabilizar um ano depois do diagnóstico.

Após o período de estabilização, fiz duas especialização e um mestrado.

Fui ordenado a uma função eclesiástica (a fé me fez sobreviver a tudo isso).

Nesse período fui reparando os danos passíveis de acertos, como as dívidas contraídas. Mas não escapei do preconceito.

Luto com o estigma, o Tribunal de Justiça não reconhece que uma pessoa em meio a um surto psicótico é capaz de fazer tantas ocorrências sem inibição social.

Estou estabilizado há 5 anos, mas ainda não consigo lidar com os conflitos internos da tristeza, da angústia e da dor.

Apesar de ter preservada minha capacidade laborativa, não posso trabalhar por força de incompreensão sobre a doença; Meus pares não aceitam que o transtorno é capaz de trazer tantos danos sociais a seu portador. e se recusam a debater o assunto, enquanto luto para provar o que aconteceu à época. Fiz diversas perícias com médicos renomados no Brasil sobre o TAB.

A todo tempo, o sentimento de desistência toma conta da minha alma. Mas, no que pese a força desse sentimento, curvo-me a pensar nas outras pessoas que sofrem do mesmo dilema. Se não lutarmos, o estigma continuará sendo um fantasma invencível. 

Fui exposto na mídia, além de impor intenso sofrimento a minha família, já que os fatos não foram poupados. No entanto, ainda estou resistindo, com apoio de poucos.    

Por fim, creio que a maior superação está no fato de não precisarmos do anonimato. Temos que nos mostrar, temos um transtorno, que não reivindicamos, mas ocorreu como fato da vida, como acontece com a pessoa cardíaca, diabética etc... Precisamos nos unir em torno da informação, da aprovação do crime de "psicofobia" (preconceito a qualquer tipo de transtorno), cujo projeto de lei está em curso no senado federal.

Tenho 47 anos de idade, 30 anos de casado, três filhos, e sou bipolar. Conquanto tenho uma mente inquieta, acredito que temos o direito de sermos respeitados nas nossas diferenças, bem como de não sermos etiquetados.

Juracy Jose da Silva 

O que fazer se você ama uma pessoa que possui uma grave doença psiquiátrica


Por Josie Conti
Ontem, enquanto tomava um sorvete com a minha sobrinha, acontecia numa mesa próxima uma conversa familiar que envolvia a readaptação de um dos membros a rotina social após o que provavelmente seria um isolamento prolongado desencadeado por uma doença psiquiátria e isso me fez pensar e pesquisar alguns tópicos que podem ser úteis para quem convive com essa realidade.
Segundo o Manual Merck de Informação Médica, os transtornos mentais acometem, em algum momento da vida, ao menos 20% da população mundial de menor a maior gravidade.
Quem possui um familiar ou convive com alguém que precisa ou já precisou de um tratamento assim sabe que o adoecimento pode interferir significativamente nas reações pessoais chegando até mesmo a transformá-las totalmente ao longo do tempo.
Todos os envolvidos sofrem impactos em sua rotina e em seu próprio emocional, pois a doença exige atitudes que talvez as pessoas nunca tenham tido a necessidade de tomar em suas rotinas anteriores.
Frente a esse desafio e sabendo que os familiares e pessoas realmente próximas serão as que mais terão contato com a doença- a pessoa acometida precisará deles diversas vezes- torna-se necessário um constante cuidado também com os que estão próximos.
O acompanhamento e a orientação psicológica familiar é fundamental em todas as etapas, pois ajudará os envolvidos a aumentar sua percepção quanto a atitudes que vão desde superproteção e infantilização ao excesso de críticas e revolta. A culpa dos familiares também pode ser uma constante, pois muitos responsabilizam-se pela doença de um filho que pode ter ligação à genética da família assim como por não conseguir estabilizar a situação como gostaria.
Seguem abaixo algumas orientações que podem auxiliar nesse processo:

1- APRENDA SOBRE A DOENÇA

Quando nos informamos ficamos mais preparados para reconhecer e lidar com os sintomas quando eles aparecem. A informação diminui o medo e a ansiedade, pois mostra como as coisas realmente são, nos dá a possibilidade de procurar ajuda mais adequada e no momento certo e, talvez o mais importante, diminui o preconceito. Saber como as coisas acontecem também nos permite ter expectativas mais realistas e respeitar melhor o tempo necessário para cada melhora.

2- ACEITE A DOENÇA

Quanto antes as pessoas próximas aceitarem a realidade do adoecimento melhor será para o tratamento e também para a pessoa que adoeceu. Uma vez que aceitamos a doença fica mais fácil procurar e receber a ajuda necessária assim como aderir aos tratamentos psicológicos e medicamentosos que podem estar atrelados ao processo.

3- AJUDE, MAS NÃO SE ESQUEÇA DE VOCÊ

Alguns tratamento podem ser longos e demandar muito de todos os envolvidos. A pessoa próxima deve ajudar, mas nunca se esquecer de si e também de suas próprias necessidades. É fundamental resguardar um tempo para si mesma e suas próprias particularidades. A própria pessoa que está em tratamento, sempre que possível, também deve ter sua autonomia preservada e estimulada para evitar estresse, ressentimentos e culpabilizações desnecessárias.

4- NÃO SUBESTIME

Transtornos mentais graves estão associados a um aumento real nas taxas de suicídio. Tanto a confusão mental quando a o sofrimento e a sensação de falta de perspectivas podem estimular tentativas de suicídio. Esteja atento às falas e sinais. Na dúvida, não subestime e converse com a pessoa e os profissionais envolvidos sobre o assunto. A observação mais próxima e até controle dos medicamentos pode ser necessário.

5- SEJA FLEXÍVEL PARA ATINGIR OS FINS NECESSÁRIOS

A pessoa que está doente sempre terá alguém em quem mais confia. Ofereça opções e busque essas pessoas para ajudar nos passos necessários. A doença já causa sofrimento demais e todas as decisões que antes poderiam ser mais simples tornam-se mais complexos e assustadores.

6- ENCORAGE A PESSOA A TOMAR SUAS MEDICAÇÃO, MAS NÃO SUBESTIME SEUS EFEITOS COLATERAIS

Algumas medicações psiquiátricas, como os antipsicóticos, podem ter efeitos colaterais importantes. Esteja atento às queixas da pessoa e as passe ao médico. Dependendo da situação também pode ser necessária a ajuda para o manuseio e o uso da medicação em horário correto. A recusa em tomar a medicação também deve ser conversada e discutida com os profissionais envolvidos.

7- O ACOMPANHAMENTO DE UM PSICÓLOGO E OUTROS PROFISSIONAIS DA SAÚDE NUNCA DEVE SER CONSIDERADO COMO MENOS IMPORTANTE QUE O TRATAMENTO MEDICAMENTOSO

A pessoa com uma doença psiquiátrica pode ter todas as áreas de sua vida afetadas. Acontecem alterações nas relações familiares, no emprego, na vida social geral. O acompanhamento no processo de reabilitação emocional e funcional é indispensável e deve ser estimulado, apoiado e ter a participação de todos os envolvidos.

8- EM UMA EMERGÊNCIA

  • Tenha sempre em mãos os telefones das pessoas que podem ajudar assim como do médico, psicólogo e até mesmo do resgate.
  • Se a pessoa ficar agressiva ou desorientada lembre-se que não adianta discutir com ela. Tenha calma para administrar a situação até que a pessoa melhore ou vocês consigam ajuda. Tente distrair a pessoa e não permita que ela saia de casa ou fique desacompanhada. A intervenção física só deve acontecer se a pessoa estiver colocando em risco a sua própria vida ou a vida do outro. Qualquer situação desse tipo deve ser informada aos profissionais que acompanham o caso.
  • Casos como o das pessoas que possuem diagnóstico de esquizofrenia podem envolver delírios e alucinações onde a pessoa possui pensamentos que não são reais ou até mesmo veem e sentem realidades de forma totalmente diferente.  Em situações como essas evite contato físico e olhar fixamente nos olhos. A pessoa certamente estará assustada e poderá reagir de forma violenta.
  • Evite a presença de pessoas estranhas e muito barulho ou estimulação no ambiente. Tente fazer com que a pessoa se sente e converse calmamente e sem elevar o tom de voz.
  • Sempre procure ajuda. Você não tem que resolver nada sozinho/a.

9- NUNCA SE ESQUEÇA QUE A PESSOA NÃO É SUA DOENÇA

Estimule a autonomia, tenha esperança no passo-a passo da recuperação e ajude a pessoa a se lembrar de quem ela realmente é. Cada passo no processo de reabilitação é uma grande vitória e deve ser comemorado. Lembre-se de focar na melhora e nos ganhos progressivos ao invés de focar nas perdas.

9- AME

Muitas vezes precisamos nos lembrar da verdadeira essência do amor para lidar com as fases que podem ser as mais difíceis da vida de todos os envolvidos. Amor é presença, amor é tolerância e aceitação. Amor também é o reconhecimento dos próprios limites.
Quando falamos em transtornos psiquiátricos, o amor pelo outro não deve superar o amor por si mesmo. O desgaste emocional e físico de quem cuida também nunca pode ser esquecido. E, nessa medida e com a ajuda das pessoas próximas, os momentos de crise podem ser ultrapassados.
“A prova de que estou recuperando a saúde mental, é que estou cada minuto mais permissiva: eu me permito mais liberdade e mais experiências. E aceito o acaso. Anseio pelo que ainda não experimentei. Maior espaço psíquico. Estou felizmente mais doida.” Clarice Lispector
fonte: http://www.contioutra.com/o-que-fazer-se-voce-ama-uma-pessoa-que-possui-uma-grave-doenca-psiquiatrica/#ixzz3vNjZw9bh

Muito Bonita a História de Superação da Márcia, além de enfrentar a Bipolaridade teve que enfrentar o Câncer também!

Meu nome é Marcia Lopes, Enfermeira, especialista em Saúde da Mulher
trabalhei por 25 anos na UFRJ no Hospital Escola São Francisco de Assis. Prefiro dizer que esta é a minha história pois existem várias questões em minha vida e eu não sou uma doença. Sou uma pessoa com meus desejos, anseios e sonhos e por um acaso convivo com a bipolaridade desde 1990  e tive câncer de mama em 2010 duas situações extremas na vida de uma pessoa. Na bipolaridade tive várias crises e inclusive internações, não aceitava tomar medicação e por ser da área da saúde tudo se tornava mais difícil tive apoio familiar mas em especial da minha mãe que esta comigo em todas as horas antes do CA tive uma crise e depois tive outra e fui removida do Pinel para um hospital público pois estava com infecção urinária e respiratória quase morri, há mais ou menos 4 anos não tenho nada e vivo com fé e esperança sempre. Sou uma pessoa que gosto de música, poesia , samba, ler, teatro, adoro me relacionar com as pessoas não sou chegada ao isolamento. Tive depressão uma vez na época  do CA. Faço parte de um grupo no yahoo que hoje em dia está um pouco perdido pois nossa coordenadora morreu após metástase.

Mente Inquieta: Márcia  você já está a quatros anos estável. O que você acha que te ajudou a adquirir essa estabilidade?  Ter que combater o câncer te ajudou?

Márcia: Acredito que o fato de ter ficado com CA tenha sido um fator importante para eu lutar e sempre discuto com meu psiquiatra passei a ver a bipolaridade de outra forma e hoje tenho um controle maior sobre minha vida e o fato de ter noticias de pessoas com as quais convivo que também tem a doença me fortalece, pois percebo como pude amadurecer através dos anos.
O fato de ser uma frequentadora assídua de boas rodas de samba também me faz muito bem e também ler completa a minha vida. E a vontade de viver!

Esta é a minha história. Não faço questão de ser anônima.

Esta sou eu. Estou no face Márcia Lopes....